

Tonha
Tonha – A campeã que veio do Canadá
A Tonha é uma Greyster nascida no Canadá, em 2021, ainda nos últimos momentos da pandemia. Ela chegou ao Brasil com aproximadamente dois meses e meio de idade e, desde então, se tornou uma das cadelas mais importantes da minha trajetória no esporte.
A história dela começou antes mesmo de ela nascer.
Em 2020, eu havia escolhido uma filhote de uma ninhada anterior da mesma criadora. Mas a pandemia dificultou tudo. Na época, conseguir um visto canadense era praticamente impossível e eu também não encontrava ninguém que pudesse trazer a cachorrinha para o Brasil. Depois de muitas tentativas, a criadora me fez uma proposta simples:
"Por que você não espera a próxima ninhada?"
Foi o que eu fiz.
Eu já tinha escolhido o nome e não pretendia mudar nada. Quando a nova ninhada nasceu, a criadora fez a seleção da filhote que acreditava ser a mais adequada para mim. Em novembro de 2021, a Tonha finalmente chegou ao Brasil, trazida por uma amiga que veio do Canadá.
Diferente do Xico, que foi um encontro feliz entre sorte e oportunidade, a Tonha já nasceu dentro de um projeto de seleção esportiva.
Ela é fruto de gerações de cães desenvolvidos especificamente para os esportes de tração. Entre pai, mãe, avós e gerações anteriores, existe um longo histórico de seleção voltada para desempenho. São cães conhecidos como racers, criados para correr, competir e performar em alto nível.
Na escolha da filhote, eu tinha poucos pedidos para a criadora. Queria uma fêmea, saudável, de porte mais leve, mais magra e, se possível, preta, com a cabeça bem fechada de cor. O restante ficou por conta dela.
E foi a decisão certa.
Sou um grande defensor da ideia de que a escolha do filhote deve partir do criador. É ele quem acompanha diariamente o desenvolvimento dos cães, observa comportamento, impulsos, personalidade e consegue direcionar melhor cada indivíduo para a família mais adequada.
A Tonha chegou exatamente como eu imaginava.
Mas acabou se tornando muito mais do que isso.
Sua carreira competitiva começou cedo. Ela conquistou o Campeonato Brasileiro LBCANIS de Canicross em 2022, 2023, 2024 e 2025. Também conquistou o Campeonato Brasileiro LBCANIS de Bikejoring em 2023, 2024 e 2025.
Com a Ana Cristina, conquistou ainda o Campeonato Brasileiro LBCANIS de Canicross Sprint em 2024 e 2025.
Em 2023, representou o Brasil no Campeonato Mundial realizado na Espanha, conquistando a 9ª colocação no Bikejoring e ajudando a equipe brasileira a alcançar o 7º lugar no Revezamento.
Mas foi em 2025, no Campeonato Mundial realizado nos Estados Unidos, que ela alcançou seus maiores resultados internacionais. Terminou em 4º lugar no Bikejoring e conquistou o título de Campeã Mundial de Canicross.
Apesar dos títulos, existe um dado sobre a Tonha que talvez diga mais sobre ela do que qualquer medalha.
Desde que começou a competir, ela nunca ficou fora do principal pódio de uma prova de canicross.
Se existia classificação geral, ela estava no pódio geral. Se a premiação era apenas por categoria, ela estava no pódio da categoria. Em todas as competições de canicross que disputou, ela esteve entre os melhores.
Mas a Tonha não é especial apenas pelos resultados.
Ela é uma cadela de temperamento incrível, equilibrada, parceira e extremamente consistente. É aquele tipo de cão que gosta de trabalhar, gosta de estar junto e parece entender perfeitamente o que está acontecendo ao seu redor.
Se o Xico foi o cão que me apresentou ao alto rendimento, a Tonha foi a cadela que me mostrou até onde é possível chegar quando talento, genética, treinamento e parceria se encontram.
Ela é, sem dúvida, uma cachorrinha sensacional.
